Fusão no amar
“Deus quer”
Reactores da criação,
Que do nada tudo geram.
Consumida a instigação,
A liberdade veneram.
“O Homem sonha”
Renúncia ao sonhar!
O mesmo beijo que embala
leva sempre a despertar.
“A obra nasce”
A máquina
Urge força motriz.
Abnegada entrega – componente
Para ser feliz.
Ciclo combinado,
De um motor que nos liberta,
Activada a ligação,
que nos desperta.
A esta reacção,
Acelerada a esperança.
Incólume e imemorial
Partícula alfa da união,
Que a poucos alcança.
quarta-feira, julho 22, 2009
domingo, março 22, 2009
Meio-morto
Este é um daqueles dias em que me apetece morrer.
Morrer várias vezes, com dó e piedade,
ser egoísta, ignorar muitíssimo quem fica.
Chateia-me ser forte ou no molhado,
ser fraco ou chover,
se o que me apetece hoje é não ser.
Que irritante pantomina,
eterna luta
da amiúde repugna
de sofrer.
Se não quiseres sofrer, sofre muito.
Do osso ao tutano,
corrói a ferro e fogo,
mas sente, sente que dói.
Que aborrecimento é ser
e não ser ao mesmo tempo.
Pois se morrer hoje, e amanhã não,
hoje fui e amanhã serei,
mas meio-morto não.
Por isso hoje morro,
as vezes que tiver de ser,
para mim e para o mundo!
E amanhã, e só se me apetecer!... lá serei.
Este é um daqueles dias em que me apetece morrer.
Morrer várias vezes, com dó e piedade,
ser egoísta, ignorar muitíssimo quem fica.
Chateia-me ser forte ou no molhado,
ser fraco ou chover,
se o que me apetece hoje é não ser.
Que irritante pantomina,
eterna luta
da amiúde repugna
de sofrer.
Se não quiseres sofrer, sofre muito.
Do osso ao tutano,
corrói a ferro e fogo,
mas sente, sente que dói.
Que aborrecimento é ser
e não ser ao mesmo tempo.
Pois se morrer hoje, e amanhã não,
hoje fui e amanhã serei,
mas meio-morto não.
Por isso hoje morro,
as vezes que tiver de ser,
para mim e para o mundo!
E amanhã, e só se me apetecer!... lá serei.
domingo, setembro 28, 2008
Método de sobreviver
Morrer ou renascer.
Nada mais há na vida
do que a constante fadiga
de desistir ou viver.
Viver é coisa que assusta,
e morrer é muito radical.
Vaguear pelo meio do caminho
onde sobreviver é o ideal.
Todos os medos adormecidos.
Todas as surpresas calculadas.
Todos os metros antes varridos.
Todas as pulsações harmonizadas.
Exaustiva é a rotina
da austera disciplina
de aniquilar qualquer tentativa
de abalar o ilusório domínio!
O módulo de coma induzido
é um anti-séptico abrigo,
sendo as emoções desincubadas
depois de inertizadas e autoclavadas.
Porque sentir é indissociável de viver,
as sensações, antes de analisadas
são totalmente criogenadas.
Laboratório branco e pueril
onde a descoberta é estéril
num jazigo de caixas de Petri!
Sobreviver é um método.
Se dissecadas as variáveis
é desmascarado o arquétipo
de que “todos os riscos são calculáveis”.
Soporífera ilusão,
inútil a segurança.
A certeza, a conclusão:
A vida perde-se à medida que o tempo avança.
Morrer ou renascer.
Nada mais há na vida
do que a constante fadiga
de desistir ou viver.
Viver é coisa que assusta,
e morrer é muito radical.
Vaguear pelo meio do caminho
onde sobreviver é o ideal.
Todos os medos adormecidos.
Todas as surpresas calculadas.
Todos os metros antes varridos.
Todas as pulsações harmonizadas.
Exaustiva é a rotina
da austera disciplina
de aniquilar qualquer tentativa
de abalar o ilusório domínio!
O módulo de coma induzido
é um anti-séptico abrigo,
sendo as emoções desincubadas
depois de inertizadas e autoclavadas.
Porque sentir é indissociável de viver,
as sensações, antes de analisadas
são totalmente criogenadas.
Laboratório branco e pueril
onde a descoberta é estéril
num jazigo de caixas de Petri!
Sobreviver é um método.
Se dissecadas as variáveis
é desmascarado o arquétipo
de que “todos os riscos são calculáveis”.
Soporífera ilusão,
inútil a segurança.
A certeza, a conclusão:
A vida perde-se à medida que o tempo avança.
segunda-feira, maio 12, 2008
Pó do firmamento
Se a face espreita, o espelho parte.
Sete anos de alucinações irreflectidas.
Puzzle sem chave à sombra de um baluarte.
Memórias perdidas, sensações reprimidas.
Cada vez menores são os estilhaços de infinito,
peças esquecidas pelo pó que as consome.
Esse pó que asfixia o bramido aflito,
secando a lágrima que a face não assome.
Negrume de um pó que sonha ser vento.
Tão quieto e mortiço…
O mesmo que em terreno movediço...
resgata a fé e urge alento!
O vento que leve o pó das miragens…
Que os núcleos atómicos deste se choquem,
e novas matérias ecludam no firmamento
nutrindo de esperança as novas viagens.
Se a face espreita, o espelho parte.
Sete anos de alucinações irreflectidas.
Puzzle sem chave à sombra de um baluarte.
Memórias perdidas, sensações reprimidas.
Cada vez menores são os estilhaços de infinito,
peças esquecidas pelo pó que as consome.
Esse pó que asfixia o bramido aflito,
secando a lágrima que a face não assome.
Negrume de um pó que sonha ser vento.
Tão quieto e mortiço…
O mesmo que em terreno movediço...
resgata a fé e urge alento!
O vento que leve o pó das miragens…
Que os núcleos atómicos deste se choquem,
e novas matérias ecludam no firmamento
nutrindo de esperança as novas viagens.
domingo, abril 13, 2008
Infinito de mim
Voo em direcção ao abismo
de onde ninguém me pode resgatar!
A esse lugar sombrio
só eu sei como chegar.
No seu isolamento acústico
grito até perder a voz.
Tentando calar o silêncio
surdo, seco e feroz.
Sem janelas nem luz,
envolta na escuridão,
cegam-me lembranças de mim,
terrífica assombração!
Espaço fechado
que me sorve todo o ar.
É a alma que se escapa,
não mais me vou encontrar!
No buraco frio e estéril
envolvo-me no manto gélido
na tentativa pueril
de adormecer os sentidos.
A fome é o alimento,
bebido o vazio austero,
nada sinto nem lamento
neste canto lúgubre e tão só.
Recôndita é a viagem
ao infinito de mim,
assombrosa é a imagem
de ver-me despida assim…
É a essência se impõe,
forte e delicada…
O abismo eu não temo
para me ter sempre assim… reencontrada.
Voo em direcção ao abismo
de onde ninguém me pode resgatar!
A esse lugar sombrio
só eu sei como chegar.
No seu isolamento acústico
grito até perder a voz.
Tentando calar o silêncio
surdo, seco e feroz.
Sem janelas nem luz,
envolta na escuridão,
cegam-me lembranças de mim,
terrífica assombração!
Espaço fechado
que me sorve todo o ar.
É a alma que se escapa,
não mais me vou encontrar!
No buraco frio e estéril
envolvo-me no manto gélido
na tentativa pueril
de adormecer os sentidos.
A fome é o alimento,
bebido o vazio austero,
nada sinto nem lamento
neste canto lúgubre e tão só.
Recôndita é a viagem
ao infinito de mim,
assombrosa é a imagem
de ver-me despida assim…
É a essência se impõe,
forte e delicada…
O abismo eu não temo
para me ter sempre assim… reencontrada.
sábado, março 22, 2008
Poema e chão
Escrevo vastidões homéricas de palavras.
Percorro planícies, desertos e montanhas.
A cada milha, a cada página, chego mais perto…
Superada qualquer dor e a exaustão,
até não sentir já, nem pés, nem mãos.
Adivinham-se páginas em branco e o caminho aberto…
As palavras envolvem-me a cada passo.
As milhas despertam-me a cada verso.
O poema é vivo e o chão estremece!
Percorrer-te sempre a razão.
Dizer-te sempre o coração.
És o Poema!
E, simultaneamente… o meu chão!
Escrevo vastidões homéricas de palavras.
Percorro planícies, desertos e montanhas.
A cada milha, a cada página, chego mais perto…
Superada qualquer dor e a exaustão,
até não sentir já, nem pés, nem mãos.
Adivinham-se páginas em branco e o caminho aberto…
As palavras envolvem-me a cada passo.
As milhas despertam-me a cada verso.
O poema é vivo e o chão estremece!
Percorrer-te sempre a razão.
Dizer-te sempre o coração.
És o Poema!
E, simultaneamente… o meu chão!
terça-feira, fevereiro 05, 2008
Pedra, carvão e diamante
Pedra decalcada
pela chuva e a madrugada
amorfa ao sonhar e ao sentir.
A pedra tanto aquece como esfria
reflexo do meio envolvente,
não interfere nem se agita.
Não vive, não existe…
arrasta-se por entre a gente
sombra de um autómato ausente.
Sem intuição ou opção
percorre o já traçado
sem revolta ou contrição.
Acorda pedra, acorda!
Não vês o que está em redor?
A pedra responde com torpor.
Num longo processo consciente
fez da dor um carvão denso
envolto num abismo imenso!
Acorda pedra, por favor acorda!
Faz da dor um diamante.
Acorda os olhos por um instante!
O vazio tornou-se inconsciente…
Já não é o torpor um reflexo…
A pedra é pedra e alma não mais.
Já não és e por isso choro.
Vejo-te mas incapaz de te reconhecer
é esta estranheza que me desgasta.
Parto antes que a dor me leve de um trago
antes que não reste mais nada em mim
além de eu mesma … pedra.
Pedra decalcada
pela chuva e a madrugada
amorfa ao sonhar e ao sentir.
A pedra tanto aquece como esfria
reflexo do meio envolvente,
não interfere nem se agita.
Não vive, não existe…
arrasta-se por entre a gente
sombra de um autómato ausente.
Sem intuição ou opção
percorre o já traçado
sem revolta ou contrição.
Acorda pedra, acorda!
Não vês o que está em redor?
A pedra responde com torpor.
Num longo processo consciente
fez da dor um carvão denso
envolto num abismo imenso!
Acorda pedra, por favor acorda!
Faz da dor um diamante.
Acorda os olhos por um instante!
O vazio tornou-se inconsciente…
Já não é o torpor um reflexo…
A pedra é pedra e alma não mais.
Já não és e por isso choro.
Vejo-te mas incapaz de te reconhecer
é esta estranheza que me desgasta.
Parto antes que a dor me leve de um trago
antes que não reste mais nada em mim
além de eu mesma … pedra.
domingo, fevereiro 03, 2008
Elemento comum
País que transpõe fronteiras
diluindo-se no mar salgado.
País de infinito alado
erguendo com audácia um céu nunca sonhado.
País de raízes profundas
por entre rochedos instauradas.
País de chama atilada
pelo sangue candente alimentada.
Elementos primordiais geram em unanimidade
um bramido rasgado aos quatro cantos do mundo.
Palavra - pássaro incansavelmente louco
que indomável leva a Liberdade
Este país é o mundo,
a essência, todos nós!
Livres ao respeitarmos
que não estamos sós!
Diferentes percursos,
a mesma origem e o mesmo fim.
Perene é a História
que orgulha e dói.
A responsabilidade suprema:
- verdade e coração.
Assim os meus filhos serão a incólume memória
do melhor que há em mim!
País que transpõe fronteiras
diluindo-se no mar salgado.
País de infinito alado
erguendo com audácia um céu nunca sonhado.
País de raízes profundas
por entre rochedos instauradas.
País de chama atilada
pelo sangue candente alimentada.
Elementos primordiais geram em unanimidade
um bramido rasgado aos quatro cantos do mundo.
Palavra - pássaro incansavelmente louco
que indomável leva a Liberdade
Este país é o mundo,
a essência, todos nós!
Livres ao respeitarmos
que não estamos sós!
Diferentes percursos,
a mesma origem e o mesmo fim.
Perene é a História
que orgulha e dói.
A responsabilidade suprema:
- verdade e coração.
Assim os meus filhos serão a incólume memória
do melhor que há em mim!
domingo, dezembro 09, 2007
Viagens
Olhos puros …cristalinos,
anverso de alma incidentes.
Não falam, sussurram.
Não tocam, inquietam.
Não abraçam, envolvem.
Não choram, enobrecem.
Não beijam, dissolvem.
Não mentem, transparecem.
Não sonham, almejam.
Não bebem, alimentam.
Não sorriem, enternecem.
Não calam, afirmam.
Não negam, partilham.
De olho postos nos teus,
os reflexos reversos que antevejo
confundem-se sempre com os meus.
Navego pelo único barco plantado.
Não temo as tempestades,
nem os monstros, nem os medos…
porque não há desconhecido.
Inútil bússola, inútil norte!
Quantas vezes me perdi…
Onde começa, onde termina…
Sem bússola, sem norte,
sem destino ou sorte
conheço estes mares de lés a lés…
os medos, os monstros, as tempestades,
os recantos secretos, os tesouros e as fantasias.
Pelos mergulhos singulares e recorrentes….
vamos perder-nos sempre e, outra vez!
Olhos puros …cristalinos,
anverso de alma incidentes.
Não falam, sussurram.
Não tocam, inquietam.
Não abraçam, envolvem.
Não choram, enobrecem.
Não beijam, dissolvem.
Não mentem, transparecem.
Não sonham, almejam.
Não bebem, alimentam.
Não sorriem, enternecem.
Não calam, afirmam.
Não negam, partilham.
De olho postos nos teus,
os reflexos reversos que antevejo
confundem-se sempre com os meus.
Navego pelo único barco plantado.
Não temo as tempestades,
nem os monstros, nem os medos…
porque não há desconhecido.
Inútil bússola, inútil norte!
Quantas vezes me perdi…
Onde começa, onde termina…
Sem bússola, sem norte,
sem destino ou sorte
conheço estes mares de lés a lés…
os medos, os monstros, as tempestades,
os recantos secretos, os tesouros e as fantasias.
Pelos mergulhos singulares e recorrentes….
vamos perder-nos sempre e, outra vez!
sábado, agosto 25, 2007
A Lua morreu
Acabaram-se os luares!
Repousaram-se as marés!
Os poetas diletantes
perderam o seu farol.
Domados os amantes
a paixão perdeu fulgor.
Nova, crescente, cheia, minguante…
Ciclos gerados na Natureza inconstante.
Órfãos da Lua, fecundados pelo Sol,
ansiamos o regaço incondicional que nos acolhe.
Detrás da mesma face exibida
se esconde o lado mais oculto.
Fortaleza de prata por "Selene" erguida,
de enigmas e mistérios é hoje ruína.
Pois intuídos os sonhos, e sentidos os medos,
num Auto de fé – a alma foi vencida.
Pelos resquícios do luar balsâmico
vamos assistindo o Sagrado lastimar o Profano.
Sol e Lua, a capicua,
cara e coroa do mesmo céu.
“Unio Mystica” reflectida,
luz da sombra que desvaneceu.
Abismal é a perda, cruciante a dor,
eterna e pungente a lembrança
do seu único e eterno amor.
Dourado, o quebranto
O luto, deletério branco.
Acabaram-se os luares!
Repousaram-se as marés!
Os poetas diletantes
perderam o seu farol.
Domados os amantes
a paixão perdeu fulgor.
Nova, crescente, cheia, minguante…
Ciclos gerados na Natureza inconstante.
Órfãos da Lua, fecundados pelo Sol,
ansiamos o regaço incondicional que nos acolhe.
Detrás da mesma face exibida
se esconde o lado mais oculto.
Fortaleza de prata por "Selene" erguida,
de enigmas e mistérios é hoje ruína.
Pois intuídos os sonhos, e sentidos os medos,
num Auto de fé – a alma foi vencida.
Pelos resquícios do luar balsâmico
vamos assistindo o Sagrado lastimar o Profano.
Sol e Lua, a capicua,
cara e coroa do mesmo céu.
“Unio Mystica” reflectida,
luz da sombra que desvaneceu.
Abismal é a perda, cruciante a dor,
eterna e pungente a lembrança
do seu único e eterno amor.
Dourado, o quebranto
O luto, deletério branco.
sábado, julho 21, 2007
Para lá da eternidade…
Antecipo uma vez mais a alvorada.
Noite arrastada – minha recente morada.
Ornamentos de enfado vertem pelas paredes das horas.
Amorfa ás sensações, trasfego com inusitadas demoras.
Impassível, surge o dia sem resistência.
À volta tudo permanece inalterável…
só é maior a tua ausência,
sustento de um vazio alienável.
Não vivo…sobrevivo!
Não sonho…desisto!
Movimentos autómatos ausentes de mim,
preenchem de inércia o dia sem fim.
No meu corpo nada resta do teu.
Tatuadas as memórias debaixo da pele,
infinitos mergulhos a que o beijo impele,
o brilho dos olhos vitrificou… desvaneceu!
Na origem do crime reside o móbil,
mas a lógica não achou desígnio.
Na Fé, há confiança no destino traçado,
mas maior é a revolta do futuro que é passado.
Não há lógica na morte… ciclo imutavelmente ignóbil.
Não há apaziguamento na fé…se a intransponível ausência é vaticínio.
À volta tudo permanece inalterável…
Perdeu-se…o ser, sem reflexo de outrora.
Quebrou-se…a âncora, à deriva no mar aberto.
Alheou-se…de tudo, num abnegado vazio acumulado.
…só eu mudei no mundo avesso.
Estás aqui, sinto-te,
na doce brisa que me afaga o rosto,
na cadente sombra que me embala o corpo,
no forte aroma que me percorre os cabelos,
no leve sussurro que me acaricia os dedos,
no paladar das memórias que me devolve os beijos
fecho os olhos…e és tu.
Sobrevivo de ilusões e miragens,
falo contigo sem esperar resposta,
morreste para o mundo, mas jamais em mim.
O Fantasma sou eu!
Não temo "o dia do julgamento",
o inferno não seria maior que a ausência que vivo.
Caminho ao compasso dos dias que me levam mais perto …
do nosso esquecimento, até à última dança.
O derradeiro desejo, reencontrar-te…
…para lá da eternidade!
Antecipo uma vez mais a alvorada.
Noite arrastada – minha recente morada.
Ornamentos de enfado vertem pelas paredes das horas.
Amorfa ás sensações, trasfego com inusitadas demoras.
Impassível, surge o dia sem resistência.
À volta tudo permanece inalterável…
só é maior a tua ausência,
sustento de um vazio alienável.
Não vivo…sobrevivo!
Não sonho…desisto!
Movimentos autómatos ausentes de mim,
preenchem de inércia o dia sem fim.
No meu corpo nada resta do teu.
Tatuadas as memórias debaixo da pele,
infinitos mergulhos a que o beijo impele,
o brilho dos olhos vitrificou… desvaneceu!
Na origem do crime reside o móbil,
mas a lógica não achou desígnio.
Na Fé, há confiança no destino traçado,
mas maior é a revolta do futuro que é passado.
Não há lógica na morte… ciclo imutavelmente ignóbil.
Não há apaziguamento na fé…se a intransponível ausência é vaticínio.
À volta tudo permanece inalterável…
Perdeu-se…o ser, sem reflexo de outrora.
Quebrou-se…a âncora, à deriva no mar aberto.
Alheou-se…de tudo, num abnegado vazio acumulado.
…só eu mudei no mundo avesso.
Estás aqui, sinto-te,
na doce brisa que me afaga o rosto,
na cadente sombra que me embala o corpo,
no forte aroma que me percorre os cabelos,
no leve sussurro que me acaricia os dedos,
no paladar das memórias que me devolve os beijos
fecho os olhos…e és tu.
Sobrevivo de ilusões e miragens,
falo contigo sem esperar resposta,
morreste para o mundo, mas jamais em mim.
O Fantasma sou eu!
Não temo "o dia do julgamento",
o inferno não seria maior que a ausência que vivo.
Caminho ao compasso dos dias que me levam mais perto …
do nosso esquecimento, até à última dança.
O derradeiro desejo, reencontrar-te…
…para lá da eternidade!
domingo, abril 08, 2007
Percepção sensorial
Estática, cerro os olhos num silêncio afincado
Para na hipnose instigada de um mergulho diligente
Me aventurar pela percepção do perfume dos sentidos.
Cada aroma uma memória, cada sabor uma canção
Estímulos intemporais revelam uma nova dimensão.
O cheiro a terra molhada…é a promessa da Natureza revigorada
O cheiro de criança…é a promessa de infinitos sorrisos de Esperança
O cheiro da infância…é a promessa à essência sem percorrer distância
O cheiro do teu corpo… é a promessa em mar de um constante anteporto
O cheiro dos que partiram…a certeza de que em nós ficaram.
Nos milhões de enigmáticos e mágicos aromas a descobrir
Reside a completa e derradeira experiência do sentir.
Inalar fantasias, despertar memórias… respirar o presente
É apreender melhor o mundo, viver mais intensamente!
Renasço a cada nova fragrância, nutrindo a alma de apurada existência.
Estática, cerro os olhos num silêncio afincado
Para na hipnose instigada de um mergulho diligente
Me aventurar pela percepção do perfume dos sentidos.
Cada aroma uma memória, cada sabor uma canção
Estímulos intemporais revelam uma nova dimensão.
O cheiro a terra molhada…é a promessa da Natureza revigorada
O cheiro de criança…é a promessa de infinitos sorrisos de Esperança
O cheiro da infância…é a promessa à essência sem percorrer distância
O cheiro do teu corpo… é a promessa em mar de um constante anteporto
O cheiro dos que partiram…a certeza de que em nós ficaram.
Nos milhões de enigmáticos e mágicos aromas a descobrir
Reside a completa e derradeira experiência do sentir.
Inalar fantasias, despertar memórias… respirar o presente
É apreender melhor o mundo, viver mais intensamente!
Renasço a cada nova fragrância, nutrindo a alma de apurada existência.
domingo, fevereiro 25, 2007
Lastimosa criatura, patética até talvez…
Na entrega pressente apenas um coração desfeito,
temendo que “o dar” lhe turve a hipotética lucidez.
A criatura temerosa, encobre-se então na letargia
para erguer as muralhas de um lúgubre vazio afeito
protegendo-se “do sentir”, que crê germinar de nós o peito…
Mas que dó, observar a tacanha cena…
Alhear-se “de amar” - origem da Liberdade!
É fustigar-se numa injúria à afectividade.
Apago a luz e o reflexo desaparece…
Na entrega pressente apenas um coração desfeito,
temendo que “o dar” lhe turve a hipotética lucidez.
A criatura temerosa, encobre-se então na letargia
para erguer as muralhas de um lúgubre vazio afeito
protegendo-se “do sentir”, que crê germinar de nós o peito…
Mas que dó, observar a tacanha cena…
Alhear-se “de amar” - origem da Liberdade!
É fustigar-se numa injúria à afectividade.
Apago a luz e o reflexo desaparece…
domingo, janeiro 21, 2007
Crime sem contrição
Envolta numa perturbante aura de silêncio espectral
vai levitando insondáveis passos na penumbra.
E é nesta atroz moldura viva que a ferro e aço
se vai desenrolando o funesto retrato:
Absoluto vestido de manobradas amarras,
madeixas toldadas de lembranças emaranhadas
lançando das estigmáticas mãos, as ausências não purgadas
para me ferir com olhar agudo, de ilusões desaustinadas.
Sem polidez ou sobreaviso, num sagaz e ardiloso embuste
me envolveu assim no cativo abraço glacial
para altiva me largar inerte na imensidão
de um doloroso vazio breu de solidão.
Lentamente esmoreci, envolvida de pesar
no turvo nevoeiro de um dó intenso
que me quebrantou em mil esquissos o coração
numa visceral e intensa dilaceração.
Mas exausta de sorrir sempre que chorava,
inebriada de dor, pela insana tortura
agarrei o diáfano punhal de ditosa aresta
e cometi o crime sem contrição!
Fechei todas as feridas para velar o passado
despedindo-me do cadáver que sucumbiu a meu lado.
E, livre do pesado manto que me cobriu de danos
lavei o punhal com as lágrimas de despedidos prantos
Caminho hoje ao sabor do vento
sussurrando palavras sem lamento…
…matei a Saudade.
Envolta numa perturbante aura de silêncio espectral
vai levitando insondáveis passos na penumbra.
E é nesta atroz moldura viva que a ferro e aço
se vai desenrolando o funesto retrato:
Absoluto vestido de manobradas amarras,
madeixas toldadas de lembranças emaranhadas
lançando das estigmáticas mãos, as ausências não purgadas
para me ferir com olhar agudo, de ilusões desaustinadas.
Sem polidez ou sobreaviso, num sagaz e ardiloso embuste
me envolveu assim no cativo abraço glacial
para altiva me largar inerte na imensidão
de um doloroso vazio breu de solidão.
Lentamente esmoreci, envolvida de pesar
no turvo nevoeiro de um dó intenso
que me quebrantou em mil esquissos o coração
numa visceral e intensa dilaceração.
Mas exausta de sorrir sempre que chorava,
inebriada de dor, pela insana tortura
agarrei o diáfano punhal de ditosa aresta
e cometi o crime sem contrição!
Fechei todas as feridas para velar o passado
despedindo-me do cadáver que sucumbiu a meu lado.
E, livre do pesado manto que me cobriu de danos
lavei o punhal com as lágrimas de despedidos prantos
Caminho hoje ao sabor do vento
sussurrando palavras sem lamento…
…matei a Saudade.
sábado, outubro 21, 2006
A Canção
Ao percorrer a marinha tela celeste
cruzo o olhar com uma certa estrela,
a mesma que há milhares de anos
um meu ancestral focou.
E com um sussurro esfíngico a inquiro
sobre os segredos da humanidade.
Leva-me a percorrer à velocidade da tua luz
a História que apática presenciaste.
Mas quero observar tudo sem filtros …
o trágico e o cruel… o alegre e o compassivo.
Pela viagem implacavelmente franca
saberei assim mais do que sou!
A estrela troça desta minha ingenuidade:
- Milenares memórias eivadas turvam o espírito
numa ilusória supra-consciência de ignorante soberba!
Mas estrela, eu consigo voltar a nascer da tua luz!
Não é a imutável e perene verdade que se altera
é sim, de medos e ódios que uma alma se prende.
Com relutância me apresenta o “circo de vaidades”,
Reino de um só rei pelas sucessivas iras deposto.
Mas no mesmo mofento palco de sangue e caveiras cravado
admiro agora a mais honesta e notável Canção!
O prodigioso desconhecido que estende a mão
oferecendo moribundo pedaços de compaixão…
A Natureza Humana aos opostos se estende,
do acto mais vil ao gesto mais comovente.
Assim pairamos assustados calando a voz interior
na tentativa frustrada de apagar a dor.
É o abraço de esperança que nos leva sempre a lutar
mas é a nossa voz de criança que nos indica o sonhar.
Atento assim nas imagens agudas
e da estrela me despeço com gratidão.
Agora na construção do presente
opto por ouvir sempre a mesma Canção.
Ao percorrer a marinha tela celeste
cruzo o olhar com uma certa estrela,
a mesma que há milhares de anos
um meu ancestral focou.
E com um sussurro esfíngico a inquiro
sobre os segredos da humanidade.
Leva-me a percorrer à velocidade da tua luz
a História que apática presenciaste.
Mas quero observar tudo sem filtros …
o trágico e o cruel… o alegre e o compassivo.
Pela viagem implacavelmente franca
saberei assim mais do que sou!
A estrela troça desta minha ingenuidade:
- Milenares memórias eivadas turvam o espírito
numa ilusória supra-consciência de ignorante soberba!
Mas estrela, eu consigo voltar a nascer da tua luz!
Não é a imutável e perene verdade que se altera
é sim, de medos e ódios que uma alma se prende.
Com relutância me apresenta o “circo de vaidades”,
Reino de um só rei pelas sucessivas iras deposto.
Mas no mesmo mofento palco de sangue e caveiras cravado
admiro agora a mais honesta e notável Canção!
O prodigioso desconhecido que estende a mão
oferecendo moribundo pedaços de compaixão…
A Natureza Humana aos opostos se estende,
do acto mais vil ao gesto mais comovente.
Assim pairamos assustados calando a voz interior
na tentativa frustrada de apagar a dor.
É o abraço de esperança que nos leva sempre a lutar
mas é a nossa voz de criança que nos indica o sonhar.
Atento assim nas imagens agudas
e da estrela me despeço com gratidão.
Agora na construção do presente
opto por ouvir sempre a mesma Canção.
segunda-feira, outubro 09, 2006
Ciclo da Água
Que dia solarengo este que me desperta a contemplar!
Visto um vestido de tons de terra e vou até ao lago nadar.
O lago é um espelho que me reflecte a imagem
mas eu quero ver a outra face … vislumbrar a margem.
Então banho-me nas suas águas
e afago o leito de cristalina plenitude.
Cores e formas tão diversas
habitam esta “fonte de eterna juventude”.
Na erosão das rochas polidas vou repousar.
O sol que me abraça num encanto sedutor
aquece-me o corpo para as gotas me levar
mas eu vou no seu encalço pelo céu azul de mar.
Nesta viagem transcendental
revigoro os sentidos e com o tempo condenso.
Do choque de vapores no nevoeiro denso
renasço - imaculada chuva vital.
É este odor a terra molhada
que se infiltra pelo horizonte terrestre
alimentando e gerando Vida
no ambiente mais agreste.
Assim corro até ao mar
e provo a lágrima mais salgada
venerando o ciclo generoso
que faz da Terra esta tão singular morada.
Que dia solarengo este que me desperta a contemplar!
Visto um vestido de tons de terra e vou até ao lago nadar.
O lago é um espelho que me reflecte a imagem
mas eu quero ver a outra face … vislumbrar a margem.
Então banho-me nas suas águas
e afago o leito de cristalina plenitude.
Cores e formas tão diversas
habitam esta “fonte de eterna juventude”.
Na erosão das rochas polidas vou repousar.
O sol que me abraça num encanto sedutor
aquece-me o corpo para as gotas me levar
mas eu vou no seu encalço pelo céu azul de mar.
Nesta viagem transcendental
revigoro os sentidos e com o tempo condenso.
Do choque de vapores no nevoeiro denso
renasço - imaculada chuva vital.
É este odor a terra molhada
que se infiltra pelo horizonte terrestre
alimentando e gerando Vida
no ambiente mais agreste.
Assim corro até ao mar
e provo a lágrima mais salgada
venerando o ciclo generoso
que faz da Terra esta tão singular morada.
quarta-feira, outubro 04, 2006
Universo mútuo
Adormeço com a leveza de um sorriso
e ao ritmo do pássaro que recolhe ao ninho
sorvo todos os seres e as forças universais.
São sussurros do vento que me exalam no peito
elementos de natureza primordiais.
Nos reflexos de harmonia da resplandecente aurora
festejo a beleza em cada recanto instaurada.
Da arrebatadora e transbordante energia,
que irrompe da terra e nos doa a Vida
testemunho a flor que da ferida brota restaurada.
Então fundo-me na luz e já não sou eu!
Reconheço-me apenas numa valsa de moléculas
que rodopiam por órbitas intemporais.
Unidos no mundo pelos embriões da mesma essência
Somos fruto do mesmo tudo, fruto do mesmo nada…
Adormeço com a leveza de um sorriso
e ao ritmo do pássaro que recolhe ao ninho
sorvo todos os seres e as forças universais.
São sussurros do vento que me exalam no peito
elementos de natureza primordiais.
Nos reflexos de harmonia da resplandecente aurora
festejo a beleza em cada recanto instaurada.
Da arrebatadora e transbordante energia,
que irrompe da terra e nos doa a Vida
testemunho a flor que da ferida brota restaurada.
Então fundo-me na luz e já não sou eu!
Reconheço-me apenas numa valsa de moléculas
que rodopiam por órbitas intemporais.
Unidos no mundo pelos embriões da mesma essência
Somos fruto do mesmo tudo, fruto do mesmo nada…
quarta-feira, setembro 06, 2006
Apenas é preciso…amar!
No tecto do meu quarto
pinto um céu muito estrelado.
É para lá que às noites parto
nas asas de um sonho alado.
Corro atrás dessa miragem
que persigo com afinco
Reencontrar nessa viagem
a infância onde brinco
Assim dança com vivacidade
a criança que há em mim
acenando à felicidade
largos sorrisos de cetim.
É nesta simplicidade
que se alcança o bem-estar,
um sentimento sem idade
apenas é preciso…amar.
Amar tudo, todas as coisas
as mais singelas e mais belas.
Para saborear o mundo
basta abrir essas janelas!
No tecto do meu quarto
pinto um céu muito estrelado.
É para lá que às noites parto
nas asas de um sonho alado.
Corro atrás dessa miragem
que persigo com afinco
Reencontrar nessa viagem
a infância onde brinco
Assim dança com vivacidade
a criança que há em mim
acenando à felicidade
largos sorrisos de cetim.
É nesta simplicidade
que se alcança o bem-estar,
um sentimento sem idade
apenas é preciso…amar.
Amar tudo, todas as coisas
as mais singelas e mais belas.
Para saborear o mundo
basta abrir essas janelas!
Outono anunciado…
Abro a janela do meu quarto
a uma suave brisa que acaba de chegar.
Nela distingo doces aromas num trilho sem rasto,
promessas de um mar de folhas, de um novo luar.
Pelos céus que beijam a paisagem de ambâr
os pássaros apressados que por mim passam
num voo afável despedem-se a segredar
melodias soltas que me abraçam.
Assim é anunciado o Outono!
Com uma paleta de mil cores
se preenchem os dias mais curtos
de novos e encantadores sabores.
Abro a janela do meu quarto
a uma suave brisa que acaba de chegar.
Nela distingo doces aromas num trilho sem rasto,
promessas de um mar de folhas, de um novo luar.
Pelos céus que beijam a paisagem de ambâr
os pássaros apressados que por mim passam
num voo afável despedem-se a segredar
melodias soltas que me abraçam.
Assim é anunciado o Outono!
Com uma paleta de mil cores
se preenchem os dias mais curtos
de novos e encantadores sabores.
domingo, setembro 03, 2006
“No dia em que o amor nasceu”
Num dia trivial que nada auspicia.
Numa noite sem luar que de breu adormecia.
Um imprevisível abalo estremeceu a letargia
e do peito brotou uma poderosa energia.
Olhares afincados
Sorrisos acercados
Gestos delicados
Abraços adamascados
Beijos abarcados
Sentidos adocicados
Desejos intricados
Sonhos decalcados
Assim nos entregamos à poesia
num arrebatamento intemporal
colorindo as asas soltas da fantasia
de um transbordante carmim-real.
A esta ditosa viagem
o meu ser por fim cedeu.
Celebro hoje esta imagem
do dia em que o amor nasceu.
Num dia trivial que nada auspicia.
Numa noite sem luar que de breu adormecia.
Um imprevisível abalo estremeceu a letargia
e do peito brotou uma poderosa energia.
Olhares afincados
Sorrisos acercados
Gestos delicados
Abraços adamascados
Beijos abarcados
Sentidos adocicados
Desejos intricados
Sonhos decalcados
Assim nos entregamos à poesia
num arrebatamento intemporal
colorindo as asas soltas da fantasia
de um transbordante carmim-real.
A esta ditosa viagem
o meu ser por fim cedeu.
Celebro hoje esta imagem
do dia em que o amor nasceu.
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