Navegante quiromante
Olho a minha mão aberta
de geóide complexo e irregular.
Gaia rochosa mas não deserta,
sistema vivo tão singular.
Estico bem os dedos
e de um mergulho sem medos,
percorro os oceanos sem fatigar,
do mindinho ao polegar.
As veias marcadas na crosta ardente,
debaixo da pele, do manto irrompem,
numa erupção nuclear de calor latente.
Vapores de emoções que assomem.
Articulo agora os gestos,
fantoches animados.
Sete continentes distintos
na palma da mão desenhados.
Pela densidade do tacto
decifro os segredos do mundo.
Como navegante quiromante
alcanço os antípodas num segundo.
Translação da articulação,
que no magnetismo acelerado,
me leva de encontro à tua mão
como corpo polarizado.
As duas mãos abertas,
e outrora vazias,
no entrelaçar,
restam preenchidas.
Domingo, Agosto 09, 2009
Quarta-feira, Julho 22, 2009
Fusão no amar
“Deus quer”
Reactores da criação,
Que do nada tudo geram.
Consumida a instigação,
A liberdade veneram.
“O Homem sonha”
Renúncia ao sonhar!
O mesmo beijo que embala
leva sempre a despertar.
“A obra nasce”
A máquina
Urge força motriz.
Abnegada entrega – componente
Para ser feliz.
Ciclo combinado,
De um motor que nos liberta,
Activada a ligação,
que nos desperta.
A esta reacção,
Acelerada a esperança.
Incólume e imemorial
Partícula alfa da união,
Que a poucos alcança.
“Deus quer”
Reactores da criação,
Que do nada tudo geram.
Consumida a instigação,
A liberdade veneram.
“O Homem sonha”
Renúncia ao sonhar!
O mesmo beijo que embala
leva sempre a despertar.
“A obra nasce”
A máquina
Urge força motriz.
Abnegada entrega – componente
Para ser feliz.
Ciclo combinado,
De um motor que nos liberta,
Activada a ligação,
que nos desperta.
A esta reacção,
Acelerada a esperança.
Incólume e imemorial
Partícula alfa da união,
Que a poucos alcança.
Domingo, Março 22, 2009
Meio-morto
Este é um daqueles dias em que me apetece morrer.
Morrer várias vezes, com dó e piedade,
ser egoísta, ignorar muitíssimo quem fica.
Chateia-me ser forte ou no molhado,
ser fraco ou chover,
se o que me apetece hoje é não ser.
Que irritante pantomina,
eterna luta
da amiúde repugna
de sofrer.
Se não quiseres sofrer, sofre muito.
Do osso ao tutano,
corrói a ferro e fogo,
mas sente, sente que dói.
Que aborrecimento é ser
e não ser ao mesmo tempo.
Pois se morrer hoje, e amanhã não,
hoje fui e amanhã serei,
mas meio-morto não.
Por isso hoje morro,
as vezes que tiver de ser,
para mim e para o mundo!
E amanhã, e só se me apetecer!... lá serei.
Este é um daqueles dias em que me apetece morrer.
Morrer várias vezes, com dó e piedade,
ser egoísta, ignorar muitíssimo quem fica.
Chateia-me ser forte ou no molhado,
ser fraco ou chover,
se o que me apetece hoje é não ser.
Que irritante pantomina,
eterna luta
da amiúde repugna
de sofrer.
Se não quiseres sofrer, sofre muito.
Do osso ao tutano,
corrói a ferro e fogo,
mas sente, sente que dói.
Que aborrecimento é ser
e não ser ao mesmo tempo.
Pois se morrer hoje, e amanhã não,
hoje fui e amanhã serei,
mas meio-morto não.
Por isso hoje morro,
as vezes que tiver de ser,
para mim e para o mundo!
E amanhã, e só se me apetecer!... lá serei.
Domingo, Setembro 28, 2008
Método de sobreviver
Morrer ou renascer.
Nada mais há na vida
do que a constante fadiga
de desistir ou viver.
Viver é coisa que assusta,
e morrer é muito radical.
Vaguear pelo meio do caminho
onde sobreviver é o ideal.
Todos os medos adormecidos.
Todas as surpresas calculadas.
Todos os metros antes varridos.
Todas as pulsações harmonizadas.
Exaustiva é a rotina
da austera disciplina
de aniquilar qualquer tentativa
de abalar o ilusório domínio!
O módulo de coma induzido
é um anti-séptico abrigo,
sendo as emoções desincubadas
depois de inertizadas e autoclavadas.
Porque sentir é indissociável de viver,
as sensações, antes de analisadas
são totalmente criogenadas.
Laboratório branco e pueril
onde a descoberta é estéril
num jazigo de caixas de Petri!
Sobreviver é um método.
Se dissecadas as variáveis
é desmascarado o arquétipo
de que “todos os riscos são calculáveis”.
Soporífera ilusão,
inútil a segurança.
A certeza, a conclusão:
A vida perde-se à medida que o tempo avança.
Morrer ou renascer.
Nada mais há na vida
do que a constante fadiga
de desistir ou viver.
Viver é coisa que assusta,
e morrer é muito radical.
Vaguear pelo meio do caminho
onde sobreviver é o ideal.
Todos os medos adormecidos.
Todas as surpresas calculadas.
Todos os metros antes varridos.
Todas as pulsações harmonizadas.
Exaustiva é a rotina
da austera disciplina
de aniquilar qualquer tentativa
de abalar o ilusório domínio!
O módulo de coma induzido
é um anti-séptico abrigo,
sendo as emoções desincubadas
depois de inertizadas e autoclavadas.
Porque sentir é indissociável de viver,
as sensações, antes de analisadas
são totalmente criogenadas.
Laboratório branco e pueril
onde a descoberta é estéril
num jazigo de caixas de Petri!
Sobreviver é um método.
Se dissecadas as variáveis
é desmascarado o arquétipo
de que “todos os riscos são calculáveis”.
Soporífera ilusão,
inútil a segurança.
A certeza, a conclusão:
A vida perde-se à medida que o tempo avança.
Segunda-feira, Maio 12, 2008
Pó do firmamento
Se a face espreita, o espelho parte.
Sete anos de alucinações irreflectidas.
Puzzle sem chave à sombra de um baluarte.
Memórias perdidas, sensações reprimidas.
Cada vez menores são os estilhaços de infinito,
peças esquecidas pelo pó que as consome.
Esse pó que asfixia o bramido aflito,
secando a lágrima que a face não assome.
Negrume de um pó que sonha ser vento.
Tão quieto e mortiço…
O mesmo que em terreno movediço...
resgata a fé e urge alento!
O vento que leve o pó das miragens…
Que os núcleos atómicos deste se choquem,
e novas matérias ecludam no firmamento
nutrindo de esperança as novas viagens.
Se a face espreita, o espelho parte.
Sete anos de alucinações irreflectidas.
Puzzle sem chave à sombra de um baluarte.
Memórias perdidas, sensações reprimidas.
Cada vez menores são os estilhaços de infinito,
peças esquecidas pelo pó que as consome.
Esse pó que asfixia o bramido aflito,
secando a lágrima que a face não assome.
Negrume de um pó que sonha ser vento.
Tão quieto e mortiço…
O mesmo que em terreno movediço...
resgata a fé e urge alento!
O vento que leve o pó das miragens…
Que os núcleos atómicos deste se choquem,
e novas matérias ecludam no firmamento
nutrindo de esperança as novas viagens.
Domingo, Abril 13, 2008
Infinito de mim
Voo em direcção ao abismo
de onde ninguém me pode resgatar!
A esse lugar sombrio
só eu sei como chegar.
No seu isolamento acústico
grito até perder a voz.
Tentando calar o silêncio
surdo, seco e feroz.
Sem janelas nem luz,
envolta na escuridão,
cegam-me lembranças de mim,
terrífica assombração!
Espaço fechado
que me sorve todo o ar.
É a alma que se escapa,
não mais me vou encontrar!
No buraco frio e estéril
envolvo-me no manto gélido
na tentativa pueril
de adormecer os sentidos.
A fome é o alimento,
bebido o vazio austero,
nada sinto nem lamento
neste canto lúgubre e tão só.
Recôndita é a viagem
ao infinito de mim,
assombrosa é a imagem
de ver-me despida assim…
É a essência se impõe,
forte e delicada…
O abismo eu não temo
para me ter sempre assim… reencontrada.
Voo em direcção ao abismo
de onde ninguém me pode resgatar!
A esse lugar sombrio
só eu sei como chegar.
No seu isolamento acústico
grito até perder a voz.
Tentando calar o silêncio
surdo, seco e feroz.
Sem janelas nem luz,
envolta na escuridão,
cegam-me lembranças de mim,
terrífica assombração!
Espaço fechado
que me sorve todo o ar.
É a alma que se escapa,
não mais me vou encontrar!
No buraco frio e estéril
envolvo-me no manto gélido
na tentativa pueril
de adormecer os sentidos.
A fome é o alimento,
bebido o vazio austero,
nada sinto nem lamento
neste canto lúgubre e tão só.
Recôndita é a viagem
ao infinito de mim,
assombrosa é a imagem
de ver-me despida assim…
É a essência se impõe,
forte e delicada…
O abismo eu não temo
para me ter sempre assim… reencontrada.
Sábado, Março 22, 2008
Poema e chão
Escrevo vastidões homéricas de palavras.
Percorro planícies, desertos e montanhas.
A cada milha, a cada página, chego mais perto…
Superada qualquer dor e a exaustão,
até não sentir já, nem pés, nem mãos.
Adivinham-se páginas em branco e o caminho aberto…
As palavras envolvem-me a cada passo.
As milhas despertam-me a cada verso.
O poema é vivo e o chão estremece!
Percorrer-te sempre a razão.
Dizer-te sempre o coração.
És o Poema!
E, simultaneamente… o meu chão!
Escrevo vastidões homéricas de palavras.
Percorro planícies, desertos e montanhas.
A cada milha, a cada página, chego mais perto…
Superada qualquer dor e a exaustão,
até não sentir já, nem pés, nem mãos.
Adivinham-se páginas em branco e o caminho aberto…
As palavras envolvem-me a cada passo.
As milhas despertam-me a cada verso.
O poema é vivo e o chão estremece!
Percorrer-te sempre a razão.
Dizer-te sempre o coração.
És o Poema!
E, simultaneamente… o meu chão!
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